Sunday, November 15, 2009

Balde de água fria

ADC ADÉMIA 0 - 1 SÃO PEDRO DE ALVA

15/11/2009 - 7ª jornada do Campeonato distrital da 1ª divisão da A.F.C. - Série A
Campo Ramos de Carvalho, Adémia.
Assistência: cerca de 50 espectadores.
Árbitro: Fábio Albano Rodrigues Monteiro
Resultado ao intervalo: 0-0

Onze 'blue': Carioca Gadget; Elisio, Simão(c), Joel Valença e Yao; Tiago (por Marito ao intervalo), Bruno Santos (por Dani aos 68') e Lito; Márcio (por Aguiar aos 80'), Ferrão e Daniel.

Suplentes não utilizados: Cunha, Cabo e Tunga.
Treinadores: José Alberto e Zé Miguel.

De facto há dias em que nem os santos ajudam e, como tal, mais vale ficar por casa. Não ajudou São Pedro, com uma tarde de chuva intensa e algum vento, realmente desagradável e que certamente afastou algum público. Nem ajudou o outro São Pedro, de Alva, ao proporcionar um autêntico balde de água fria sobre a confiança crescente e ambições da equipa da casa.

Mas vamos a factos. Frente a frente estavam as equipas da Adémia e do São Pedro de Alva, igualadas no 4ºlugar da classificação a 5 pontos do líder Lagares, pese embora o facto de os forasteiros terem um jogo a mais disputado. Esperava-se, por isso, um jogo equilibrado, ainda para mais tendo em conta que ambos os conjuntos vinham de resultados positivos. Os da casa, moralizados com duas vitórias de seguida, uma para a Taça e outra para o Campeonato, com 7 golos marcados e apenas 1 sofrido no conjunto dos dois encontros. Já os visitantes vinham de uma vitória caseira sobre o candidato Eirense seguida de um valioso empate na Praia de Mira a uma bola contra o Touring para a Taça, que abre excelentes perspectivas para o jogo da 2ªmão.

Para esta partida, o treinador 'blue' viu-se obrigado a mexer no onze inicial, mais concretamente na linha da frente, devido às ausências de Juca, Mamadu e Eugénio. Nos seus lugares fez alinhar Márcio pela faixa direita, Daniel como ponta-de-lança e o recém-regressado de lesão Ferrão pela faixa esquerda. De resto, manteve o mesmos jogadores das duas partidas anteriores, fazendo alinhar Elisio e Yao nas faixas laterais de um quarteto defensivo completado ao centro por Simão e Joel, e um miolo constituído por Tiago e Bruno Santos, com Lito à frente destes, solto nas costas do elemento mais adiantado no terreno.

Tal como se esperava, os primeiros minutos foram pautados pelo equilibrio, mantendo-se a bola longe de ambas as balizas. No entanto eram claras as diferenças no estilo de jogo das duas equipas. Enquanto os 'blues' tentavam trocar a bola em futebol apoiado, previlegiando as faixas laterais ou as diagonais procurando o veloz avançado Daniel, os forasteiros apostavam invariavelmente em lançamentos longos desde a sua defesa - ou mesmo desde o seu guarda-redes - para os seus homens mais adiantados, com especial predilecção pelo flanco esquerdo do seu ataque. As excepções a este tipo de jogo surgiam ocasionalmente quando a bola passava pelos pés do seu médio mais criativo (#10), com talento e visão de jogo. E foi precisamente dos seus pés que surgiu a primeira grande oportunidade de golo, por volta do quarto de hora de jogo, quando isolou um companheiro de equipa que, após passar pelo guardião Carioca, e já de ângulo algo fechado, atira na direcção da baliza, valendo a intervenção 'in extremis' do jovem Yao que tirou a bola em cima da linha de golo. Poucos minutos volvidos e era de novo o São Pedro de Alva a criar perigo, com o seu jogador a não dar a melhor sequência a um cruzamento da direita ao segundo poste, quando tinha condições para fazer muito melhor. Estes dois avisos da equipa visitante terão funcionado como alerta para os 'blue', que a partir daí assumiram o controlo do jogo, construindo alguns bons lances de ataque, sobretudo pela ala direita, embora sem criar uma oportunidade clara de golo. Essa oportunidade surgiu à passagem da meia hora na sequência de um livre apontado por Tiago, rasteiro, que o guarda-redes forasteiro defende com dificuldade para a frente, deixando a bola à mercê de Yao que executa a recarga, mas permite nova defesa por instinto. No último quarto de hora da 1ª metade foi a equipa da Adémia que continuou com sinal mais na partida - registo para um bom remate de Ferrão para uma defesa a dois tempos do guardião contrário -, embora o São Pedro de Alva se defendesse bem, com agressividade e espreitasse as costas da defesa 'blue' sempre que podia, mostrando que estava ali para discutir a partida. Mesmo em cima dos 45', o árbitro da partida mostra cartão vermelho directo ao elemento desequilibrador do meio-campo do São Pedro de Alva, após este ter pontapeado deliberadamente Tiago sem bola, ocorrência que parecia escancarar a porta da vitória para a equipa da casa.

Ao intervalo, o treinador 'blue' alterou uma peça no xadrez da sua equipa, fazendo entrar Marito para o lugar de Tiago, que ficou nos balneários devido a lesão. Com um jogador a mais não restava alternativa à equipa da Adémia que não partir para cima do adversário, empurrando-o para a sua baliza e desgastando-o progressivamente através de trocas de bola constantes, de flanco a flanco. Foi, de facto, isso que aconteceu durante os primeiros 20' da etapa complementar mas a equipa do São Pedro de Alva, que raramente conseguia passar a linha intermediária com a bola controlada, mostrou uma organização defensiva e maturidade na ocupação de espaços nada comuns para este nível de competição. Como tal, embora dominando de forma esmagadora a posse do esférico, a equipa da casa não criava tantas oportunidades claras de golo como se poderia esperar. Neste período a melhor ocasião pertenceu a Daniel que, após passe milimétrico de Bruno Santos para as costas da defesa, remata cruzado de primeira, sem deixar a bola bater no chão, fazendo-a passar bem próximo do poste direito da baliza contrária. Contra todas as expectativas, por volta da vintena de minutos da 2ªparte, dá-se autêntico 'golpe de teatro' no Ramos de Carvalho. A equipa forasteira coloca a bola de forma longa na área contrária, sem perigo, e Yao, não incomodado por qualquer adversário, tem o infortunio de cabecear contra o próprio braço, que se encontrava esticado à frente do corpo. O juiz da partida não teve duvidas em assinalar o castigo máximo. Mas, pior do que isso, não teve alternativa que não mostrar o cartão amarelo respectivo ao defesa 'blue' - que já havia sido amarelado na primeira parte, por protestos - e consequente vermelho, deixando as equipas novamente em igualdade numérica. O capitão do São Pedro de Alva não desperdiçou a oportunidade caída de um céu de onde até ao momento só tinha caído água, e muita. E poucos minutos volvidos os visitantes podiam inclusivé ter ampliado a vantagem, quando, após bom cruzamento da esquerda, um dos seus homens mais adiantados permite a defesa a Carioca.
Era um sinal de que a equipa da casa começava a perder algum controlo emocional e discernimento, na altura em que porventura este seria mais necessário. Mesmo com as alterações operadas, primeiro com a entrada de Dani para o lugar do já algo desgastado Bruno Santos e depois com a substituição de Márcio por Aguiar, não se voltou a assistir ao domínio esmagador dos primeiros 20 minutos da 2ª parte. Por esta altura, a equipa do São Pedro de Alva defendia de modo mais confortável e, sempre que podia, gizava contra-ataques que pudessem colocar um ponto final na partida. Foi já no período de compensação, e com o central Simão transformado em ponta-de-lança, que os 'blue' criaram a sua melhor oportunidade para chegar, pelo menos, ao empate: Marito rematou já no interior da área, em zona frontal, para uma uma boa intervenção do guardião contrário que não afastou, no entanto, a bola da zona perigo, deixando-a ao alcance de Dani que escorregou no momento de encostar, gorando-se assim a derradeira ocasião do jogo.

Em suma, foi um jogo em que a equipa da casa se pode queixar definitivamente de uma sorte 'madrasta', não se devendo, no entanto, deixar com isso de destacar pela negativa alguma falta de capacidade e frieza para reagir à desvantagem no marcador. Quanto à equipa forasteira, tem nestes 3 pontos um prémio para a sua organização defensiva quando se viu com um elemento a menos, e ascende com eles ao 3º posto da classificação. Em sentido contrário, este encontro deixa a equipa 'blue' a 6 pontos do líder Lagares da Beira (empate 1-1 em Eiras), precisamente o seu próximo adversário, em Lagares. Será, portanto, de extrema importância somar pontos, num campeonato que se antevê muito equilibrado até final entre diversas formações. Neste momento são apenas 6 os pontos que separam 1º e 9º classificados.

Sunday, November 8, 2009



ADC ADÉMIA 4 - 0 UDR CADIMA


08/11/2009 - 1ª Eliminatória da Taça da A.F.C. - 1ª mão
Campo Ramos de Carvalho, Adémia.
Assistência: cerca de 50 espectadores
Árbitro: João José Miranda Machado Jesus
Resultado ao intervalo: 1-0





Onze 'blue': Carioca Gadget; Elísio, Simão(c), Joel Valença e Yao; Tiago, Bruno Santos (por Marito aos 65') e Lito; Eugénio (por Daniel aos 55'), Juca (por Mauro aos 80') e Mamadu.


Suplentes não utilizados: Micaia, Márcio, Tunga e Dani.

Treinadores: José Alberto e Zé Miguel.





Pouco público presente no Ramos de Carvalho para a primeira tarde de Taça da época 2009/2010, facto ao qual não terá sido certamente alheio o tempo cinzento e chuvoso que se fazia sentir. Ditou o sorteio que frente a frente estivessem equipas de séries diferentes: Adémia e Cadima. A equipa 'blue', a realizar até ao momento uma boa campanha no campeonato e tida como uma das candidatas à subida de divisão procurava aqui dar continuidade à vitória do passado fim-de-semana em Foz de Arouce e, se possível, construir um resultado que lhe permitisse abordar o jogo da 2ª mão com tranquilidade máxima. Já os visitantes eram encarados com alguma desconfiança: por um lado, apenas somavam 4 pontos em 5 jogos no campeonato, por outro, tinham sido a unica equipa a roubar pontos ao lider Febres (vitória por 1-0).Como tal, e já depois de Tunga ter dado o mote táctico no balneário, mister José Alberto decidiu colocar em campo os mesmos onze jogadores que tinham iniciado o jogo contra o Arouce-Praia. Apostou numa linha defensiva com Elísio à direita, Yao à esquerda e Joel Valença fazendo companhia ao intocável capitão Simão no eixo; no meio campo, uma primeira linha de dois homens constituída por Tiago e Bruno Santos, responsáveis pela construção de jogo e uma segunda linha com dois elementos bem abertos nas alas - Eugénio e Juca - e um terceiro, Lito, a quem cabia a tarefa de jogar nas costas do ponta-de-lança Mamadu, abrindo espaços através de desmarcações de ruptura.






Ainda antes do início da partida se percebeu que o factor casa teria um peso determinante e que o tão apregoado 12º jogador seria, de facto, uma realidade para a equipa 'blue', assumindo a sua posição ao lado desta logo durante o alinhamento inicial das 3 equipas, como demonstra a foto captada pelo central "Cegueira", hoje com funções de repórter.














A equipa visitante iniciou a 1ª parte com uma atitude aguerrida, conseguindo manter o jogo no meio-campo adversário durante os primeiros minutos da partida, mas rapidamente os 'blues', tentando praticar um futebol apoiado e assente em trocas de bola de pé para pé, assumiram um maior controlo da posse da mesma e, portanto, do jogo. Ainda antes da passagem do primeiro quarto de hora de jogo, já se contavam duas oportunidades para a equipa da casa. Na primeira, uma abertura do experiente Bruno Santos, apanhando a defesa forasteira ainda não totalmente adaptada ao piso sintético, isola Mamadu que, talvez ainda não completamente desperto, não revelou a objectividade necessária na cara do guardião do Cadima. Na segunda, um cruzamento largo da esquerda de Yao encontra um oportuno Lito que, vindo de trás, cabeceia a bola para a trave da baliza contrária. A equipa do Cadima apostava, por esta altura, sobretudo na velocidade das suas peças mais adiantadas mas sem criar claras situações de golo junto à baliza de Carioca. Foi assim com alguma naturalidade que a equipa da casa abriu o activo à passagem dos 25', quando Yao é solicitado no corredor esquerdo e, após galgar alguns metros, cruza rasteiro para o coração da área contrária onde aparece Mamadu a desviar a bola para o interior da baliza. Quando se esperava que os anfitriões continuassem a carregar, criando oportunidades, assistiu-se a um decréscimo no ritmo do jogo e foi mesmo o Cadima que, através de duas bolas paradas, podia ter igualado a contenda fazendo uso da estatura do seu avançado, aproveitando, primeiro, uma falha de marcação dos centrais 'blue' e, depois, uma saída fora de tempo do guardião Carioca Gadget.







Chegou o intervalo e o tal 12º jogador fez questão de acompanhar a equipa da casa até ao balneário sendo, no entanto, mandado sair pelo autor do unico golo da partida até ao momento, quem sabe sentindo o seu lugar em campo ameaçado.A equipa do Cadima regressou dos balneários decidida a recuperar a desvantagem no marcador e, em função disso, instalou-se no meio-campo ademiense durante os 10 minutos iniciais da etapa complementar sem, verdade seja dita, criar grande 'frissom' junto das redes adversárias. No sentido de contrariar a tendência que o jogo estava a tomar, mister José Alberto opera uma substituição, com a entrada do combativo Daniel para a saída de Eugénio, que por esta altura passava completamente ao lado do jogo. A pouco e pouco o gás da equipa forasteira começava a escassear e era de novo a formação 'blue' que ganhava ascendente na partida, mesmo jogando num ritmo lento.











A equipa do Cadima regressou dos balneários decidida a recuperar a desvantagem no marcador e, em função disso, instalou-se no meio-campo ademiense durante os 10 minutos iniciais da etapa complementar sem, verdade seja dita, criar grande 'frissom' junto das redes adversárias. No sentido de contrariar a tendência que o jogo estava a tomar, mister José Alberto opera uma substituição, com a entrada do combativo Daniel para a saída de Eugénio, que por esta altura passava completamente ao lado do jogo. A pouco e pouco o gás da equipa forasteira começava a escassear e era de novo a formação 'blue' que ganhava ascendente na partida, mesmo jogando num ritmo lento.









O golo que sentenciou a partida e quebrou animicamente a equipa do Cadima surgiu por volta dos 20' da segunda parte, através de um remate cruzado de Juca, que estava no sitio certo para aproveitar uma bola perdida após um cruzamento para a área do lado direito. A partir desse momento - e já com Marito no lugar de Bruno Santos, para refrescar o miolo -, e perante um adversário também já desgastado fisicamente, a equipa da casa pôde usufruir de mais espaço para trocar a bola e os lances de perigo multiplicavam-se, tendo surgido com naturalidade o 3º golo, com Mamadu a corresponder de cabeça a um cruzamento de Tiago ao segundo poste, após boa jogada de envolvimento colectivo. A vencer por 3-0, e com o intuito de impedir o recuo excessivo das suas tropas, o treinador 'blue' faz entrar Mauro para o lugar de Juca e altera um pouco o figurino táctico da equipa, passando a jogar com 2 homens encostados aos centrais adversários. Até ao final, o jogo foi-se arrastando sem que a equipa do Cadima revelasse frescura e arte para chegar ao tento de honra, tendo sido inclusivé a equipa da casa a fechar a contagem, desta vez por Lito, na recarga a um remate de Mamadu defendido pelo guarda-redes visitante.







Em jeito de balanço final, esta foi uma vitória que não sofre qualquer contestação perante um adversário que nunca mostrou argumentos suficientes para pôr em causa a supremacia 'blue', com um score final que deixa pouca margem de manobra para que o Cadima consiga a reviravola na 2ª mão.